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Perícia médica do INSS: como se preparar e o que levar

O que o perito avalia (e o que ele não avalia), a documentação que sustenta o pedido, como descrever sua limitação e o que fazer em caso de alta indevida.


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A perícia do INSS costuma durar poucos minutos. Nesses minutos se decide se uma pessoa vai receber um benefício por meses ou anos — ou vai voltar a trabalhar sem condições de trabalhar.

Não dá para controlar o resultado. Dá, e muito, para controlar o que você leva e como apresenta a sua situação.

Resumo rápido

O perito avalia incapacidade funcional, não a gravidade da doença em abstrato. Leve documento de identidade, laudos e exames organizados em ordem cronológica, e um relato escrito descrevendo o que você deixou de conseguir fazer. Chegue com antecedência. Se for negado, o recurso é gratuito e o prazo é de 30 dias.

O que o perito avalia

Este é o mal-entendido central. O perito não está avaliando se você está doente. Está avaliando se a sua condição incapacita você para o seu trabalho, e por quanto tempo.

Por isso duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem ter resultados diferentes: um pedreiro com hérnia de disco e um analista que trabalha sentado estão em situações funcionais distintas.

O que importa, então, é demonstrar a ligação entre:

doença → limitação concreta → impossibilidade de exercer a sua atividade específica.

Antes da perícia

Confirme o agendamento pelo Meu INSS ou pelo 135, e confira endereço, data e horário. Reagendamentos acontecem.

Organize a documentação em ordem cronológica, do mais antigo ao mais recente, em uma pasta. Perito com pouco tempo lê o que está acessível.

Leve cópias, mas leve também os originais — laudos e exames de imagem originais têm mais peso.

Prepare seu relato escrito, de uma página, respondendo:

  • quando os sintomas começaram;
  • que tratamentos você já fez (medicação, fisioterapia, cirurgia, terapia);
  • qual é exatamente a sua função no trabalho — descreva as tarefas físicas ou cognitivas;
  • o que você deixou de conseguir fazer, com exemplos concretos: “não consigo permanecer em pé mais de 20 minutos”, “não consigo levantar peso acima de 5 kg”, “perdi a concentração para conferir planilhas”, “não consigo segurar ferramenta com a mão direita”.

Essa descrição funcional vale mais do que adjetivos. “Sinto muita dor” comunica menos do que “não consigo subir um lance de escada sem parar”.

O que levar

  • Documento oficial com foto e CPF;
  • carteira de trabalho ou comprovante da sua atividade;
  • atestado médico com diagnóstico, CID, descrição da incapacidade, prazo sugerido, data, assinatura, carimbo e CRM;
  • laudos e relatórios dos especialistas que acompanham você;
  • exames — imagem, laboratoriais, eletroneuromiografia, o que houver;
  • receitas e caixas de medicamentos em uso;
  • comprovantes de internação, cirurgias e sessões de fisioterapia ou terapia;
  • CAT, se a doença ou acidente tem relação com o trabalho;
  • relatório do psiquiatra ou psicólogo, em casos de transtorno mental, com descrição do quadro e do tratamento;
  • seu relato escrito.

Transtornos mentais exigem cuidado redobrado

Depressão, ansiedade e burnout são frequentemente negados porque não aparecem em exame de imagem. Leve relatório psiquiátrico detalhado, com CID, histórico de tratamento, medicações e evolução, além do registro de acompanhamento psicológico. Documentação consistente e continuada é o que sustenta esses casos.

No dia

  • Chegue com antecedência. Atraso pode custar o atendimento.
  • Leve acompanhante, se tiver dificuldade de locomoção ou de comunicação.
  • Responda com objetividade e sinceridade. Não exagere sintomas e, igualmente importante, não minimize. Muita gente responde “estou bem” por educação, e isso vai para o laudo.
  • Não omita tratamentos, cirurgias ou melhoras. Contradição com o prontuário enfraquece o caso.
  • Se pedirem para executar um movimento, faça até onde consegue e diga o que dói.
  • Anote o número do protocolo e o nome do perito.

Depois

O resultado aparece no Meu INSS, em geral em poucos dias. Consulte também a carta de concessão ou a carta de decisão, que traz o motivo em caso de negativa — é ela que orienta o recurso.

Se foi negado

Você tem 30 dias para recurso administrativo, gratuito, pelo Meu INSS. Ataque o motivo específico da negativa e anexe documentação nova.

Se o recurso não resolver, cabe a via judicial. Nos Juizados Especiais Federais, causas de até 60 salários mínimos dispensam advogado, e a Defensoria Pública da União atende quem não pode pagar. Na Justiça, a perícia é feita por médico nomeado pelo juízo.

Se recebeu alta e ainda está incapaz

  • Pedido de prorrogação: deve ser feito nos 15 dias que antecedem a data de cessação (DCB). Perdido o prazo, é preciso novo requerimento.
  • Pedido de reconsideração: cabível em até 30 dias após a alta, quando você discorda da decisão.

Cuidado com quem promete resultado

Ninguém pode garantir concessão de benefício. O INSS não cobra nada, não tem “despachante autorizado” e não libera benefício mediante pagamento. Qualquer pessoa que cobre taxa antecipada prometendo aprovação está aplicando um golpe. Advogado sério cobra honorários com contrato, normalmente ao final e sobre o resultado.

Perguntas frequentes

Posso levar acompanhante para dentro da sala?

Em regra, sim, especialmente idosos, pessoas com deficiência ou com dificuldade de comunicação. Confirme na recepção.

O perito pode contrariar meu médico?

Pode. O perito faz avaliação própria e é ela que fundamenta a decisão administrativa. Por isso a documentação precisa ser detalhada o bastante para sustentar sua versão, e por isso a perícia judicial independente muitas vezes reverte o resultado.

Fiz perícia por telemedicina. Vale o mesmo?

O INSS mantém modalidades de análise documental e remota em determinadas situações. Quando disponíveis, valem, e exigem envio de documentação completa e legível.

Faltei à perícia. E agora?

O pedido costuma ser arquivado. É possível reagendar pelo Meu INSS ou 135, mas o tempo perdido conta. Se houve motivo relevante — internação, por exemplo —, comprove.

Preciso ir se estou internado?

Não. É possível solicitar perícia hospitalar ou domiciliar para quem está impossibilitado de se locomover. Peça pelo 135 com comprovação.

Fontes oficiais


Leia também


Este texto é informativo, não é consultoria jurídica

O Tudo Explicado não é escritório de advocacia e não intermedia benefícios. Cálculo previdenciário depende do seu histórico completo de contribuições, e a melhor regra para você só aparece depois de simular todas. Use o Meu INSS para simular, ligue 135 para tirar dúvidas e procure um advogado previdenciário ou a Defensoria Pública antes de dar entrada. O INSS não cobra nada para conceder benefício.

Gerson Porto

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